segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Então, o islamismo é uma religião Pacífica?


O mundo está chocado com mais essa demonstração de violência de militantes muçulmanos ocorrida na França. Chefes de estado se preparavam para participar da marcha de repúdio aos assassinatos, neste domingo 11 de janeiro de 2015, que reuniu milhões de pessoas, quando o presidente da França François Hollande emitia essa declaração: “Esses terroristas nada têm a ver com a religião muçulmana”. Nesse meio tempo, a imprensa divulgava as palavras de um dos terroristas, Amedy Coulibaly, o homem que tomou de assalto o supermercado judaico em Vincennes, responsável por cinco das 17 mortes contabilizadas nesses atos de violência. Uma emissora de rádio gravou toda a sua argumentação e defesa dos seus tresloucados atos e de seus companheiros. Ele fundamenta a violência e os assassinatos exatamente na fé muçulmana que professa.

Mas a desencontrada afirmação, que contradiz as evidências, não tem sido emitida apenas por Hollande. O longo histórico de violência cometido por muçulmanos tem sido acompanhado pela tentativa renitente da mídia de esquerda em dissociar violência de islamismo. Jornalistas referem-se repetidamente a que atos de violência refletem apenas o “islamismo radical” e ressoam o bordão do Presidente Obama, de que “o islamismo é uma religião pacífica”, procurando dissociar as ações violentas dessa fé professada. Será?

A imprensa e governantes talvez assim se expressem temendo os movimentos que vêm surgindo na Europa contra o avanço islâmico no ocidente. Em janeiro de 2015, na Alemanha, a passeata do movimento PEGIDA (sigla, em alemão, para Europeus Patrióticos Contra a Islamização do Ocidente) despertou vários pronunciamentos da mídia fazendo ilações dessas reações com o que chamam de “Islamofobia”. Outros movimentos surgem na própria França, na Holanda e em outros países onde a presença dos maometanos é não somente muito visível, como crescente. Assim, tanto políticos como jornalistas querem nos convencer, que o islamismo não é uma ameaça real, mas apenas uns poucos extremistas. É lógico que não desejamos apoiar movimentos que apresentem ódio e discriminação civil a muçulmanos. Mas podemos fechar os olhos à associação de violência com o islamismo?

Os atentados na França despertam muita comoção porque foram perpetrados contra um órgão de imprensa, mas nem de longe são representativos do horror da continuada violência de origem muçulmana que tem martelado o mundo. Homens e carros-bombas são ocorrências quase diárias no oriente médio. As execuções em massa e a decapitações do chamado Estado Islâmico (“EI” ou “ISIS”) são atos impar de barbárie, justificados por profunda convicção de que Alá aprova esse envolvimento em uma “guerra santa”. As ações repugnantes do Boko Haram (o nome significa proibição de educação ocidental), na Nigéria, são apresentadas como “conversão” ao islamismo das adolescentes raptadas, e a indiscriminada matança que eles promovem, são praticadas com perturbadora tranquilidade e seus porta-vozes as fundamentam no Corão – quase na mesma semana em que 17 foram mortos na França, eles dizimaram centenas na cidade de Baga (as estimativas de mortos, espalhados pela cidade, variam de 200 a 2.000 pessoas – ninguém sabe ao certo). Não precisamos nem lembrar os ataques às torres gêmeas, em Nova York, com as quase 3.000 mortes. Nos últimos anos, violência e ameaças que cruzam as linhas internas do islamismo têm sido praticadas contra escritos, charges e pronunciamentos de personalidades. Os “militantes” e os vários Imãs que os apoiam nos informam que tudo ocorre sob a tutela e aprovação de Maomé. O próprio incidente na França é uma expressão mais cruel do que já vinha sendo anunciado desde que, nos idos de 2005, o jornal Dinamarquês “Jyllands-Posten” publicou 12 cartuns sobre Maomé, caracterizando-o como terrorista. Aquele periódico foi alvo de violentos protestos e ameaças dos muçulmanos.

Também em 2005, o Papa Bento XVI fez um pronunciamento caracterizando a religião islâmica como violenta (na realidade ele estava tão somente citando registros de pronunciamentos de Manoel II Paleologus, emitidos em 1391).  O que aconteceu? Os islâmicos promoveram violentos protestos para provar que não eram violentos! Em Basra, no Iraque, a efígie do Papa foi queimada e, no Oriente Médio, muçulmanos jogaram bombas incendiárias em sete igrejas católicas, como se pudessem provar, pela violência, que o islamismo não é violento.

E as ocorrências no antigo império soviético? Em 2002, rebeldes muçulmanos chechenos ameaçaram mandar pelos ares centenas de pessoas, no Teatro Dubrovka, em Moscou. Isso gerou uma desastrada intervenção, característica da competência russa com inúmeros mortos (morreram 54 terroristas e quase 100 reféns). Na mesma Rússia, em setembro de 2004, outra brigada de muçulmanos chechenos fez 1200 mulheres e crianças reféns, em uma escola de Beslan, provocando um morticínio em massa – e haja mais intervenção russa desastrada (morreram mais de 330 mulheres e crianças).

Quando a grande mídia, em quase sua totalidade, fica apontando que a agenda de desprezo pela vida humana é característica apenas de algumas das correntes islâmicas, repetindo essas afirmações ad nauseam, fecham-se os olhos do mundo para o fato de que a própria religião realmente abraça e encoraja a violência e a sua propagação pela espada. Estudemos os xiitas e sunitas; arábios e indonésios; correntes supostamente moderadas e outras classificadas como extremistas; afro-americanos convertidos ao islamismo e os tradicionais muçulmanos: encontraremos a violência recorrente em todas essas vertentes, em grande parte dessas vezes, contra si mesmos.

O que o incidente da França tem em comum com todos esses outros ao longo da história contemporânea? O Corão e a religião islâmica. Mesmo que tenha virado moda confundir, em vez de esclarecer, e dizer que o cristianismo também é uma religião de sangue, que propaga a sua fé pelas guerras, etc. Mesmo que ouçamos essa inverdade repetida constantemente, o cristianismo verdadeiro não tem esse argueiro ou trava no olho. Como instituição ou religião não exaltou os suicidas, nem encorajou massacre de inocentes, nem reagiu com violência às infames blasfêmias do Charlie Hebdo. Raros fatos pontuais da história, em que um segmento ou outro de cristãos confundiu a Espada do Espírito com a de metal, não provam a regra. A verdade é que O CRISTIANISMO É PACÍFICO. Cristo ensina que a nossa luta não é contra carne e sangue. Ela é espiritual e não é vencida pela violência.

No entanto, se dermos uma olhadinha no Corão (Sura 9.5). Não há dúvida sobre o que ensina o Islamismo: “Assim, quando os meses sagrados passarem, então matem os idólatras aonde quer que possa encontrá-los e leve-os cativos e encurrale-os e espere por eles, em cada emboscada...” Ou (Sura 4.56) : “… com relação àqueles que não creem em nossas comunicações, faremos com que adentrem o fogo; com tanta frequência que suas peles serão totalmente queimadas. Mudaremos elas por outras peles, para que possam experimentar o castigo; certamente Alá é poderoso e sábio”. Realmente, não é um exagero equacionar islamismo com violência – ela está na raiz dessa religião falsa.

Então não existem muçulmanos pacíficos? Claro que sim. Mas, com toda probabilidade, eles ou são incoerentes com os documentos da fé que professam, ou fazem parte de um segmento oprimido pelo próprio islamismo. Não estamos dizendo que muçulmanos pacíficos sejam hipócritas, mas afirmamos que o germe da violência (que é expressão do anticristo, contrapondo-se à paz, que vem de Deus) está no islamismo. Se forem seguidas as consequências lógicas dessa religião, esse germe cria raiz, se aprofunda e desabrocha em violência. O grande lado cruel, e ao qual devemos demonstrar extrema sensibilidade, é que grande parte dos pacíficos são os muçulmanos oprimidos por muçulmanos opressores: mulheres, crianças, homens que amam suas famílias acima da pressão circunstante (“peer pressure”) dos semelhantes – uma característica do islã. Nesse caldeirão, as crianças vão crescendo olhando para a violência como uma forma de redenção e de rito de passagem de uma lado (o oprimido) para o outro (o opressor). Quantas mulheres, por vezes, não são pressionadas, ou cooptadas, a aderir à violência? Chega-se ao absurdo de se utilizarem, agora, de “meninas bombas”, como o Boko Haram fez no dia 10 de janeiro de 2015, na Nigéria (dizimaram 20 pessoas inocentes). O incidente na França fará com que esses pacíficos aflorem e resistam à violência? Não sei. Prouvera Deus que assim fosse, mas não tenho muita esperança disso.

Condeno o ataque ocorrido na França. Condeno as demonstrações de violência do islamismo, agora e em todas as épocas. Não me sinto obrigado, entretanto, a me identificar com a irreverência (termo que era pejorativo e hoje serve de elogio) e desrespeitos praticados pelos cartunistas e editores, ou a apoiar – sob pretexto de preservação da liberdade – as blasfêmias indiscriminadas presentes naquele Pasquim de segunda categoria (definitivamente, não sou Charlie), para protestar contra os assassinatos praticados em nome de Alá. Desprezo as ilações que têm sido feitas pela imprensa contra o cristianismo, como se andássemos de mãos dadas com os violentos da Terra. Não sou islamofóbico – o que quer que isso signifique – mas procuro ir além das versões superficiais apresentadas.

Por fim, a vigilância e repressão por meio das autoridades constituídas é o meio imediato, por certo, para garantir a vida e o direito de ir e vir. No entanto, concordo com as palavras do Rev. Ageu Magalhães, que escreveu a propósito dos incidentes na França:
As ações militares são necessárias para frear o terror e a injustiça, todavia, são paliativas. Morrem 100 terroristas, nascem 1.000, dispostos a vingar os que morreram. A solução passa pelo Evangelho, transformando terroristas em servos de Jesus Cristo. Esse é o único remédio eficaz. Não sabemos o quanto de muçulmanos ainda se converterão ao Evangelho, mas sabemos que nosso dever é ir, enviar, orar e sustentar.

Essa é a mensagem de paz que caracteriza os verdadeiros cristãos. A paz de Cristo é o que precisamos agora e sempre.

Solano Portela
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Fonte: O Tempora ,O Mores
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Em Cristo,
Mário

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

FELIZ ANO NOVO,DEUS OS ABENÇÕE!





Quero agradecer a todos os leitores do blog que com sua presença me deram motivação para continuar a publicar matérias de qualidade para o ensino e defesa da fé entre outros assuntos.
Felz ano novo,O SENHOR os abençõe com as mais ricas bençãos dos céus.

Mário

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O cristão deve participar do Natal secular?


Não sabemos, ao certo, quando o Senhor Jesus nasceu. O que sabemos é que Ele não nasceu em 25 de dezembro, pois, nessa época do ano, o forte frio na Judeia inviabilizaria a iniciativa imperial de realizar um alistamento (Lc 2.1-3). E isso é reforçado pelo fato de os pastores de Belém estarem no campo na noite de Natal (v. 8).

Até o século III, o nascimento de Jesus era comemorado no fim de maio, no Egito e na Palestina (que nada tinha que ver com a Palestina de hoje). Em outros lugares, a celebração ocorria no começo de janeiro ou no fim de março. O imperador Aureliano estabeleceu, em 275, a comemoração obrigatória do Natalis Invicti Solis (Nascimento do Sol Vitorioso) em 25 de dezembro. E, a partir de 336, o romanismo, fazendo uma unificação de várias festas religiosas, adotou essa data oficialmente para a comemoração do nascimento de Jesus.

Independentemente de Jesus não ter nascido em 25 de dezembro e de ninguém saber, ao certo, quando Ele nasceu, nos dois últimos meses do ano só se fala em Natal. E, mesmo que muitos não saibam a diferença entre o Natal de Cristo, pelo qual se celebra o nascimento do Senhor Jesus Cristo, e o Natal secular, no qual o Aniversariante torna-se um mero coadjuvante, a celebração existe, sendo inútil ignorá-la. Diante dessa constatação, como devemos nos comportar nessa época de festas?

Em primeiro lugar, podemos aproveitar esse período do ano para apresentar ao mundo o Protagonista do Natal: Jesus Cristo. E isso pode ser feito por meio de cantatas ao ar livre e nos centros comerciais, cultos e mensagens especiais, evangelísticas, nos templos, publicação de textos alusivos ao nascimento de Cristo, etc. Além disso, não precisamos demonizar o Natal secular por causa do que afirmei sobre 25 de dezembro. Afinal, nas datas festivas de fim de ano, com muito ou pouco dinheiro no bolso, é bom que as famílias cristãs — que conhecem o verdadeiro sentido do Natal — se confraternizem, troquem presentes, enfeitem suas casas, se desejarem, etc. Que mal haveria nisso?

Pensemos em um cristão que more ou que esteja de passagem em uma grande cidade, como: Paris, Nova York, Londres, São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires, etc. Nos últimos meses do ano, essas cidades são decoradas especialmente para o Natal. Deve o cristão ficar dentro de casa ou em um quarto de hotel, isolado, em sinal de protesto ao Natal? Por que não podemos, como cristãos equilibrados e maduros, aproveitar esse período do ano para passear com a família e tirar fotos nos lugares enfeitados?

Outra questão: Há algum problema em colocar presentes debaixo de uma árvore colorida e enfeitada, a fim de abri-los à meia-noite do dia 25 de dezembro? A despeito de haver legalistas de plantão dizendo que fazer isso é idolatria, penso que não convém ao servo do Senhor Jesus ser extremista e perder uma grande oportunidade de se alegrar com sua família e seus amigos, especialmente na véspera do tradicional dia de Natal.

É evidente que não ignoramos o paganismo, impregnado na sociedade brasileira. Entretanto, as questões relacionadas com os festejos do Natal secular passam, obrigatoriamente, por uma reflexão à luz de alguns princípios bíblicos. Primeiro: de acordo com Eclesiastes 7.16,17, não nos é vedado o entretenimento. Segundo: a participação eventual, com prudência e vigilância, em festas seculares — muitas vezes tidas como pagãs — é mencionada em 1 Coríntios 10.23-32. Terceiro: segundo os Evangelhos, o Senhor Jesus participou de festas em que havia pessoas pecadoras e comeu na casa delas.

Pensemos. Que males a celebração do Natal secular traz, efetivamente, para as nossas vida e família? Alguém poderá dizer: “O Papai Noel usurpa o lugar de Cristo. E a árvore de Natal é idolátrica”. Certo. Mas, qual é o cristão que põe uma árvore em sua sala para efetivamente adorar ídolos? Se quisermos ser cristãos legalistas — que rejeitam toda e qualquer coisa que tenha origem pagã —, teremos de proibir o uso de vestido de noiva, o bolo de aniversário, os ovos de chocolate... E assim por diante? Ora, lembremo-nos do que a Palavra do Senhor assevera em 1 Coríntios 6.12: “todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma”.

E, quanto às crianças, que vivem no mundo da fantasia? Muitas delas, inclusive, por influência dos colegas de escola, da mídia, etc., acreditam em Papai Noel. Imaginemos como se sente a criança que ouve de seu pai: “Não vou lhe dar presente de Natal porque esta festa é pagã e consumista”. Isso denota zelo e santidade, ou falta de equilíbrio e hipocrisia? Sinceramente, um pai que, tendo condições, não presenteia o seu filho no Natal, está agindo de modo extremado, podendo até provocar-lhe a ira (Ef 6.4).

Como os pais devem agir? Cabe a eles ensinar aos seus filhos, com muita sabedoria, o verdadeiro sentido do Natal. Não é preciso se opor ferrenhamente à celebração secular. A transição do mundo da fantasia para a realidade ocorre de modo natural. Com o tempo, a criança percebe que o Papai Noel é uma figura ficcional, mítica, e que o Senhor Jesus é real. Pais excessivamente preocupados com questiúnculas privam seus filhos da alegria desse período de festas; proíbem-nos de posar para uma foto ao lado do chamado “bom velhinho” ou de uma árvore enfeitada, em um shopping. Mas, têm eles ensinado seus filhos em casa (Dt 6.7) e os conduzido à Escola Bíblica Dominical para aprenderem a Palavra do Senhor?

Ora, as únicas pessoas que, de fato, acreditam em Papai Noel são as inocentes e ingênuas crianças. Privá-las desses encantamento e alegria passageiros é uma maldade sem tamanho, cujo combustível é o legalismo hipócrita e farisaico. Lembremo-nos do que Senhor Jesus ensinou em Mateus 23.24: “Condutores cegos! Coais um mosquito e engolis um camelo”.

Ciro Sanches Zibordi
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Fonte : Blog do Ciro
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Em Cristo,
Mário

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

ATOS SIMBÓLICOS DO ESPÍRITO?


Postado por Augustus Nicodemus Lopes

Não faz muito tempo Ana Paula Valadão provocou uma polêmica no meio evangélico ao se colocar de quatro no palco, durante um show em Anápolis, e começar a andar tentando imitar um leão. Enquanto isto, os membros da banda faziam gestos de “leão” ou de olhos fechados e mãos erguidas “abençoavam” a plateia, que gritava em delírio. O vídeo está no Yoube. Não quero voltar a este episódio, já tão batido, mas usá-lo como gancho para entender o quadro maior.

Isto de se imitar animais no palco sob a "unção" do Espírito Santo parece ter começado em 1995, na igreja do Aeroporto de Toronto, famosa por ter sido o berço da “bênção do riso santo”. Escrevi um artigo sobre isto em 1996. Naquele ano, um pastor chinês, líder das Igrejas chinesas cantonesas de Vancouver, Canadá, durante o período de ministração na Igreja do Aeroporto, começou a urrar como um leão. O pastor da Igreja, John Arnott, estava ausente do país, e foi chamado às pressas de volta, para resolver o problema. A liderança que havia ficado à frente da Igreja lhe disse que entendiam que o comportamento bizarro do pastor chinês era do Espírito Santo.

Arnott entrevistou o pastor chinês diante da congregação durante uma reunião, e para surpresa de todos, ele caiu sobre as mãos e os pés, e começou a rugir como um leão na plataforma, engatinhando de um lado para o outro, e gritando "Deixem ir meu povo, deixem ir meu povo!". Ao voltar ao normal, o pastor chinês explicou que durante anos seu povo tinha sido iludido pelo dragão, mas agora o leão de Judá haveria de libertá-los. A igreja irrompeu em gritos e aplausos de aprovação, e Arnott convenceu-se que aquilo vinha realmente do Espírito de Deus. Isto acabou provocando o desligamento desta igreja da sua denominação, a Vineyard Fellowship, que discordou que aquilo vinha de Deus. Mas, parece que a moda pegou.

A partir daí, os sons de animais passaram a fazer parte da "bênção de Toronto." Houve casos de pessoas rugindo como leão, cantando como galo, piando como a águia, mugindo como o boi, e gritando gritos de guerra como um guerreiro. Para Arnott, estes sons eram "profecias encenadas", em que Deus fala uma palavra profética à Igreja através de sons de animais. Arnott passou a admitir e a defender este comportamento como parte do avivamento em andamento na Igreja do Aeroporto.

Acredito que o argumento para “profecias encenadas” ou “atos proféticos” tão em voga hoje nos shows e cultos do movimento gospel e do pentecostalismo sincrético é que, no passado, Deus mandou seus servos transmitirem mensagens ao povo usando objetos e dramatizando a mensagem. Não é difícil achar exemplos disto no Antigo Testamento. Deus mandou que Jeremias atasse canzis (cangas) ao pescoço como símbolo do cativeiro do povo de Israel (Jer 27:2); mandou que comprasse um cinto de linho e o enterrasse às margens do Eufrates até que apodrecesse, como símbolo também da futura deportação dos judeus para a Babilônia (Jer 13:1-11); determinou que ele comprasse uma botija de barro e quebrasse na presença do povo, para simbolizar a mesma coisa (Jer 19:1-11). O Senhor mandou que Isaías andasse nú e descalço por três anos, como símbolo do castigo de Deus contra o Egito e a Etiópia (Is 20:3-4). Há outros exemplos demprofetas que poderiam ser citados.

No Novo Testamento, o único exemplo de um profeta falando a Palavra de Deus e ilustrando-a com um ato simbólico é o do profeta Ágabo, que usando um cinto, amarrou seus próprios pés e mãos para simbolizar a prisão de Paulo (At 21:10-11).

Ao tentarmos entender a “teologia” dos atos proféticos da Bíblia percebemos alguns traços comuns a todas as ocorrências.

Elas foram determinadas a profetas de Deus, como Isaías e Jeremias, os quais foram levantados por Deus para profetizar sobre o futuro da nação de Israel e a vinda do Messias. Ou seja, tais atos tinham a ver com a história da salvação, o registro dos atos salvadores de Deus na história.
Estes atos simbólicos ilustravam revelações diretas de Deus para o seu povo através dos profetas. No caso de Ágabo, tratava-se de uma revelação sobre a vida do apóstolo Paulo, homem inspirado por Deus, que o Senhor haveria de usar para escrever a maior parte do Novo Testamento. Portanto, a mensagem de todos aqueles atos proféticos se cumpriu literalmente, como os profetas disseram que haveria de acontecer.
Sem revelação direta, infalível e inerrante da parte de Deus, não há atos simbólicos. Eles eram ilustrações destas revelações. Uma vez que não temos mais profetas e apóstolos, que eram os canais destas revelações infalíveis, não temos mais estes atos proféticos que acompanhavam ocasionalmente tais revelações.
Nesta compreensão vai o autor de Hebreus, que relega ao passado aqueles modos de Deus falar ao seu povo. Agora, Deus nos fala pela sua dramatização maior e suprema, a encarnação em Jesus Cristo (Hb 1:1-3).
Tanto assim, que os únicos atos simbólicos que o Senhor Jesus determinou ao seu povo, e cuja mensagem é fixa e imutável, foi que batizassem os discípulos com água e comessem pão e bebessem vinho em memória dele. Tais atos ilustram e simbolizam nossa união com o Salvador. Fora disto, não encontramos qualquer outra recomendação do uso de atos simbólicos para transmitir a mensagem do Senhor.

Portanto, para mim, estes “atos proféticos” atuais e profecias encenadas nada mais são que uma tentativa inútil – para não ser crítico demais - de imitar os profetas e apóstolos, na mesma linha destes que hoje reivindicam, em vão, serem capazes de fazer a mesma coisa que aqueles fizeram.



Após Deus ter se revelado em Jesus Cristo, ter estado entre nós e transmitido ao vivo a sua Palavra, após os apóstolos terem registrado esta mensagem de maneira infalível e suficiente nas Escrituras, pergunto qual a necessidade de profecias encenadas e atos simbólicos para que Deus nos fale através deles. Se alguém não entende a fala de Deus registrada claramente na Bíblia vai entender através do simbolismo ambíguo de gestos e encenações de gente que alega falar no nome dele? Sola Scriptura!

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Fonte: Blog O Tempora O Mores 

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Propina ou extorsão?

Postado por Solano Portela
Há algo que chama a atenção nas prisões realizadas nos últimos dias. Refiro-me à questão do assalto aos cofres da Petrobrás, e, por extensão, ao seu e ao meu bolso – como pagadores de impostos. É o grande número de dirigentes de empresas que foram levados pela polícia Federal (20), contra APENAS UM executivo da petrolífera! Uma coisa que não queremos, agora, é o governo e sua estatal do coração aparecerem como vítimas inocentes de tubarões predadores que conseguiram corromper os seus desavisados e surpresos executivos. Esses, todos sabem, são na realidade fantoches políticos colocados para servir a fins próprios e às quadrilhas partidárias que os geraram, à custa da gestão empresarial competente e eficaz que deveriam realizar. É verdade que outros (2, 3?) já se encontram sob investigação e um deles já vem entoando a maviosa canção da delação, que arrepia a tantos envolvidos. Mas são poucos, comparados com a súcia de empresários arrebanhada nesta última empreitada policial.



Os noticiários falam que a operação, agora, tem o seu foco nos corruptores. É preciso cuidado na aceitação tácita do termo, pois ele já atribui um papel passivo aos dirigentes da estatal, que teriam aquiescido sob pressão. Os “corrompidos” terminaram “forçados” a aceitar algo para facilitar a vida e aumentar o lucro dos “corruptores”. Será?


É óbvio que a corrução é um mal que precisa ser erradicado, ou pelo menos combatido e reprimido em uma sociedade que deseja se pautar pelo empreendedorismo ou por universais princípios de justiça. Corrução e desvio de dinheiro público subtraem exatamente dos carentes, encarecem as obras, incrementam os impostos e prejudicam a vida de todos os cidadãos. É preciso dar um basta e Deus está possibilitando que alguns se conscientizem disso!


Por outro lado, creio que é necessário fazer uma distinção entre propina e extorsão. E isso não se aplica somente a empresários. Pessoas ou dirigentes de instituições nunca deveriam PAGAR algo a alguém para obter uma vantagem à qual não têm direito. Quando se faz isso é uma propina, um valor indevido, uma quebra clara da lei, muitas vezes para permitir que outra lei seja quebrada. Quase idêntico à PROPINA é o SUBORNO e ambos são condenáveis. O suborno pode ser alguém “comprando” as autoridades (para não ter o peso do direito que adviria delas); ou um pagamento partindo das próprias autoridades, por exemplo, para que alguém não revele alguma verdade que as prejudicará – como no caso das autoridades que subornaram os soldados para que não dissessem a verdade sobre a ressurreição de Jesus (Mateus 28.12).


Extorsão, por outro lado, é a exigência de um pagamento (que genérica e confusamente é também chamada de propina) por uma pessoa que detém autoridade, para conceder algo que você ou uma empresa têm direito de receber, ou realizar. Pode ser um serviço, um atendimento, um documento, mas que simplesmente não sairá a não ser que o extorquido concorde em ter um prejuízo adicional e pague o resgate do seu direito. A extorsão, assim praticada por um agente ou servidor público, não tem diferença daquele resgate exigido por um bandido, quando sequestra um parente de alguém. A realidade de ser extorquido faz parte da experiência de inúmeros brasileiros. Por exemplo, empresas que importam containers com perecíveis e no processo de liberação são “informadas” que o processo vai demorar 30 dias, a não ser que uma taxa de “agilização” seja paga a alguma “autoridade” que tem poder de entrave. João Batista avisou aos policiais, sempre detentores de grande autoridade na interface última com os cidadãos, que não exorbitassem seu ofício e não utilizassem de sua posição para extorquir (Lucas 3.14: “A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa e contentai-vos com o vosso soldo”).


Pelas notícias e modus operandi revelados pelos delatores do propinoduto da Petrobrás, tenho a impressão de que a extorsão era a norma. A “taxa de pedágio” para que arquitetos planejassem, construtoras construíssem, engenheiros reformassem, fabricantes e comerciantes fornecessem, era a norma e não a exceção. A extorsão veio e se instalou como fonte de dinheiro fácil (e extremamente abundante) para os aparelhados e aparelhadores de um estado moribundo que está moralmente falido, ainda que se mantenha até economicamente afluente e dinâmico, em muitos sentidos. Se alguém foi atrás do que não tinha direito, que seja identificado e punido, incluindo aqui também os dirigentes de empresas citados acima. Mas, que tal, como sociedade, exigir que o foco se mantenha naqueles que subvertem o direito e praticam a extorsão?



O que testemunhamos atualmente com esses casos de corrução e amoralidade no Brasil é um esquecimento de que existe um Deus justo que vê todas as coisas. O profeta Ezequiel (22.12) já denunciava: “... exploraste o teu próximo com extorsão; mas de mim te esqueceste, diz o SENHOR”. Que Deus nos livre da propina, e que a limpa atual seja ampliada a outros setores, livrando os brasileiros dessa praga da extorsão.

Solano Portela
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Fonte: O Tempora O Mores
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Em Cristo,
Mário

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